Muitas vezes me pego pensando em como as pessoas são acomodadas e, a meu ver, insultam suas próprias inteligências com suas formas de pensar e, pior, de tratarem seus pensamentos. Deixam que suas ideias e opiniões sejam manipuladas por terceiros que, muitas das vezes, possuem algum interesse egoísta nessa atitude. O que mais me incomoda nisso é que as pessoas não caem por serem burras, e sim, por praticarem a burrice.
Existem histórias curiosas a respeito da origem da palavra “burro”. Uma delas sugere que burro, significando pessoa pouco inteligente, tenha vindo do nome latino da cor vermelha burrus, porque os dicionários tinham antigamente a capa vermelha. Como aquele que os consultava era ignorante ou burro, o nome da cor do livro, por metonímia, teria passado a designar o consulente e, por extensão, teria passado a designar todo àquele que fosse curto de inteligência (Arlette, 2009).
Desse modo, podemos ver que a etimologia da palavra está ligada à pessoa com pouca inteligência, o que – acredito, eu – não é o caso da maioria das pessoas. O que de fato acontece é que por mais que uma pessoa não seja classificada como “burra” (por ter inteligência), ainda assim ela comete burrices, visto que, se um burro é alguém com pouca inteligência e essa pessoa possui a tal e não faz seu uso, logo ela tomará atitudes como uma pessoa burra (burrice).
Resumindo em miúdos: Burro é uma pessoa com pouca inteligência e burrice é a ação praticada pelo burro. Se alguém que não é classificado como burro não utiliza a inteligência que possui, esse alguém pratica a burrice da mesma forma. Um exemplo clássico pra deixar ainda mais claro é um Médico que fuma: ele conhece (e estudou) todos os malefícios que essa prática pode causar ao corpo humano e sabe que isso, também, se aplica a ele. Podemos dizer que esse médico é burro? De fato, não, pois ele possui inteligência e, inclusive, a usa de forma contínua, porém, pratica a burrice por entender que aquilo lhe é prejudicial e não toma uma atitude para parar.
De moro geral, o estilo de vida atual tornou a pessoas muito dependentes e ociosas de pensamentos, na qual seus dia-a-dias não estimulam mais sua inteligência e capacidade de cognição. Hoje, as pessoas não precisam mais resolver problemas, pois a especialização do mercado capitalista faz com que haja um especialista para cada assunto, retomando aquela ideia do: “ou se sabe muito sobre pouco ou se sabe pouco sobre muito”. Queimou um chuveiro? Existe um especialista em trocar chuveiros... Quebrou a rebimbóca da parafuseta do seu carro? Existe um especialista em rebimbócas de parafusetas.
Essa mecanização do pensamento transformou pessoas inteligentes em um mínimo de assuntos, mas por consequência em burras nos outros todos. E sabe o que é pior? Isso não impede que as pessoas cometam burrices, mesmo em assuntos ligados as suas áreas (vide exemplo do nosso médico tabagista).
Por fim, e fechando a crítica, deixo claro que isso aqui é só um desabafo, de alguém que não suporta ver potencial jogado fora. Busquem tentar entender como as coisas ao seu redor funcionam e o que você pode fazer para tentar interferir nisso de forma proveitosa para o seu viver, claro que sem atravancar o próximo. Tente entender o funcionamento das coisas e das pessoas, e como as pessoas fazem funcionar as coisas. E o mais importante lembre-se: Ser dotado de inteligência te livra de ser taxado como burro, mas não te livra de cometer burrices.
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