quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Foge, foge! É cilada!

É engraçado como muitas pessoas me vêm como um cara de coração blindado, que está alheio ao amor conjugal. Também, pudera. Já quase perco de vista a história do meu ultimo relacionamento sério – no qual aprendi e cresci muito. Ao longo da minha vida (depois disso) aprendi a realmente me proteger, me poupar de um sofrimento indesejado e incontrolável. Acredito que ao longo dos anos fui criando uma carapaça cascuda no coração, que me protege ao passo que me priva.

Sou o tipo de cara que não sabe se relacionar pela metade, que não sabe se entregar se não for por inteiro, cair de cabeça mesmo, e a cada nova aventura penso e repenso em tudo que está acontecendo, e no final das contas percebo que prefiro não me envolver a partir de certo ponto. Tenho medo. Meu racional é prevalente. Eu pondero, analiso e viajo com o pé no freio. Em qualquer sinal de cilada, meu coração – Pedro – já logo grita.

Mas vez ou outra o inevitável acontece, e tudo que parece me tornar mais forte me desmonta. Fico bobo. O real problema de se considerar um cara seguro, com controle sobre seus relacionamentos, é que talvez sua própria natureza o condene. Quando entro nesse estado nenhuma das minhas defesas funciona, meu campo de força se desarma e minha carapaça cascuda se transforma em uma membrana altamente permeável. Seria bom controlar essa mudança de habitat, mas não é bem assim que acontece. Nunca é. Perder o controle da situação é horrível, ainda mais quando você cria expectativas, algo que minhas defesas já eliminam logo no começo de cada nova relação. Quando esse mal consegue passar pela barreira residual do meu consciente muita coisa vem junto. É tipo um vírus de computador, infectando todo o sistema, enganando até o antivírus. Com o mal instalado fica difícil limpar o software novamente.

O real problema em gostar de uma pessoa é quando todas as suas expectativas vão por água a baixo. Eu tento não ser, mas sou assim. Crio planos, imagino situações futuras e crio rotinas. Pareço cego. Parece que meu consciente fica totalmente agindo por conta própria, eu já não penso e não pondero. E a treta nisso, meus amigos, está justamente em querer voar alto demais. A estória de Ícaro nos leva a entender como realmente somos vulneráveis. Eu nunca voo alto demais, pois sei que minhas asas são de cera, mas inevitavelmente algumas vezes o sol pareceu estar mais perto, e eu só queria mais calor.

Quando aquele relacionamento em que você apostou todas as suas fichas não da certo, é como se o mundo caísse sobre suas costas. Parece que tudo conspira contra. Músicas, coisas, pessoas... De um comentário na rua, até a cor da escova de dente no banheiro. Tudo me faz remoer por dentro. Não consigo fazer mais nada direito, minha paz interna desaparece, e o que mais corrói por dentro é me perguntar, a todo o momento: Onde foi que eu errei pra chegar nesse ponto?

[...] É foda.

Minhas idealizações sobre o que é o Amor vivem afligidas por meus anjos e demônios. Mas acredito que o Amor é um mal necessário, eu diria. Serve como chicote, mas também como berço. Para cada experiência mal sucedida um ensinamento, e quando o sistema se reestabelece ele volta ainda mais forte.

É isso, amores mal resolvidos servem como vacinas.

A natureza habilitou nossos sistemas de modo a amar o próximo para garantir nossa sobrevivência em grupo, mas a naturalização do Amor é inconsciente e nem sempre benigna. Sobrevive por fora, mas morre por dentro, e o amor que gera a vida, também a tira. A cada nova aventura, novos desafios, até que uma hora talvez dê certo, amando mais ou menos. E sabe qual o real problema em não saber amar um pouco? É que pouco amor, pra mim, já é muito, e muito então nem se fala. Dá ate medo.

Ícaro amava voar e o seu amor o condenou. E sabe o que é mais foda? O sol sempre brilhará no mesmo lugar e minhas asas, assim como as de Ícaro, sempre serão de cera.

Um dia eu aprendo... Ou não.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dar ou não dar? Eis a questão...

De algumas décadas pra cá a Mulher vem ganhando cada vez mais espaço no que diz respeito a expor sua “voz” na sociedade, fato que, historicamente, tornou-se motivo de grandes discussões e intervenções. Grupos feministas lutam há anos para garantir que o “sexo frágil”, ainda que frágil, mostre-se igualmente capaz de realizar qualquer ação dentro de uma sociedade ativa. Porém, dentro do universo que permeia cada assunto na disputa entre gêneros, um dos maiores impasses visto nas discussões encontra-se no polêmico “transar ou não transar no primeiro encontro?”.
Trata-se de um assunto indelicado (não acho), que tratado principalmente por nós, homens, tende a se tornar tendencioso, até porque a famosa questão “dar ou não dar” em um primeiro encontro pode ser ao mesmo tempo machista e feminista, basta se contrapor a cada ponto de vista.
Sob uma óptica masculina, claramente, todas as mulheres deveriam ser “independentes” o suficiente para satisfazer os homens logo no momento em que se conhecem, de um modo animalesco, no “cio”. Afinal todo homem tem o dever (social e natural) de jamais recusar sexo, pois tal ação implicaria em uma desaprovação por parte de outros homens (machos) e por uma considerável parcela das mulheres (mulheres). Já pelo olhar feminino, para as mulheres independentes (fervorosas) sexo no primeiro encontro pode representar um sinal de segurança sobre suas decisões e uma capacidade de escolha própria, de caracterização de uma personalidade forte e singular, mas que na contramão carrega um caminhão de preceitos que permeiam diferentes valores socioculturais enraizados em um processo de construção social conservador, que sodomiza o sexo há muitas e muitas gerações. Ou seja, para os homens sexo casual é dever, é orgulho, mas para as mulheres é uma afronta à sua moralidade – puro machismo.
É como se a sociedade tivesse criado um modus operante em que os homens têm o monopólio do ato sexual casual (só eles podem querer), e que as mulheres só devem fazer parte disso enquanto objetos sexuais (mais uma vez fragilizando sua participação perante o ato). Nesse preceito a mulher não pode ser a detentora do desejo (e o homem o objeto), ela tem que, por dever, ser o indivíduo moderador, pois se ela tomar a frente estará se rebaixando ao nível animalesco dos homens, como se necessidades fisiológicas só se explicassem por um dos sexos. Homens possuem necessidades fisiológicas, mulheres devem possuir apenas necessidades sociais – puro machismo [2].
Biologicamente entendemos que tanto os homens quanto as mulheres estão dispostos na natureza equipados com eficientes mecanismos sexuais, que promovem entre eles uma interação direta, que tem por finalidade garantir a perpetuação da sua espécie, assim como, de um modo geral, para todos os seres vivos no planeta (claro, dentro de suas peculiaridades). Dessa forma, homens e mulheres são dotados igualitariamente de um apetite sexual que tem por finalidade uni-los, assim, fica claro que a natureza não deu ao homem mais direto ao coito do que a mulher, ela deu aos dois a necessidade de se relacionarem um com o outro, e não mais um do que o outro. Nesse sentido fica claro que, naturalmente, as mulheres tem total direito ao “transar”, tanto quanto os homens, e que qualquer probatória contrária a isso vai contra as leis da natureza. Uma mulher querer transar é tão normal quanto um homem. E vai por mim, pode parecer, mas isso não é tão obvio.
Dentro das sociedades humanas o ato sexual é carregado de tabus, que vêm sendo debatidos ao longo da história e superados conforme a evolução do pensamento civilizado. Claramente, para o Homem, ter relações sexuais envolve muito mais que o próprio ato, sendo assim construído pelo viés da moralidade. É a moralidade que enjaula o sexo, ela quem determina quando e onde você pode transar, e mais, é por ela que se decide se vai ou não transar de primeira, na cabeça de uma mulher. Isso faz com que as mulheres criem uma contenção de seus desejos e por mais que queiram muito transar no primeiro encontro, elas decidem inconscientemente que isso não é certo – “certo” no sentido moralista da ideia.
A decisão de ir pra cama em um primeiro encontro deve ser uma decisão compartilhada entre o homem e a mulher, e pode ser analisada sob diferentes aspectos levando-se em consideração o grau de afinidade gerado pelo encontro e o nível de intimidade estabelecido. A capacidade cognitiva do Homem lhe proporciona essa visão, de compor as informações coletadas naquele momento e criar em seu imaginário um cenário de avaliação da(o) pretendente, no qual tanto o homem quanto a mulher são capazes de decidir se aquela pessoa ali, presente, é ou não apto a favorecer suas necessidades sexuais momentâneas. Ainda nesse aspecto, essa capacidade ainda pode analisar e construir, em pensamento, situações futuras com aquele novo parceiro, que dentro dos preceitos sociais será avaliado como próprio ou impróprio para se mantar um relacionamento mais estreito.
No contexto das sociedades humanas pensar o sexo envolve muito mais que analisa-lo sob um aspecto natural, seus conceitos estão embebidos em diferentes culturas e são caracterizados de diferentes maneiras por seus praticantes. A ideia de reprodução também está ligada a um controle populacional e sabemos que a complexidade do convívio humano regula a capacidade de adaptação e sobrevivência de seus membros, por isso o ser humano, ao longo da evolução do seu pensamento deixou de pensar o sexo enquanto apenas uma ferramenta reprodutiva natural. O ato sexual sempre estará carregado de paradigmas que serão superados e retomados ao longo da existência humana.
Hoje, o pensamento machista e nossa atual construção social aprisiona o desejo sexual feminino, mas isso não impede que as mulheres tomem suas próprias decisões, apenas que elas às repensem. Se pensarmos em como o sexo era visto há 50 anos, na geração de nossos pais, já podemos perceber um grande avanço no pensamento que tange esse assunto, o que também tem levado à sua banalização pela mídia atual, claro. Essa mesma mídia que ao passo em que compra moralidade, vende banalidade, criando uma dicotomia no pensamento social e manipulando o desejo das pessoas. Talvez transar no primeiro encontro só pareça “errado” porque a Globo quer (rsrs).
Enfim [...]
Esse é uma assunto que pode gerar muito pano pra manga, e que pode ser analisado sob diferentes visões e aspectos. Acredito que cabe a cada pessoa decidir sobre seus relacionamentos, desejos e vontades. O sexo é uma dadiva natural e, felizmente, fomos agraciados com o prazer de podermos realiza-lo para além de sua função reprodutiva, e mais, a capacidade cognitiva do Homem permitiu que o desfrutasse e o pensasse de diferentes maneiras.
Definitivamente, transar em um primeiro encontro não é algo errado, nem para homens e muito menos para mulheres, é apenas algo passível de certa contextualização. Não devemos nos privar de nossos desejos e vontades devemos apenas ter certeza que aquele possível parceiro sexual é apto a realizar, de forma satisfatória, nossas vontades na cama, ou onde quer que seja. Obviamente, não vamos fugir das obrigações sociais a que já somos impostos, mas o velho “entre quatro paredes vale tudo” ainda funciona muito bem.
Faça o que sentir vontade, arrependa-se apenas do que não fizer. No final das contas todo mundo quer gozar.

sábado, 25 de outubro de 2014

Debate em debate

Eu não assisti a nenhum dos debates políticos, nem no primeiro e, muito menos, no segundo turno das eleições. Criei uma apatia imensa pelos rumos que a politica brasileira tem tomado. É como se houvesse uma aceitação geral da nação de que “pior do que tá não fica” (SILVA, Tiririca. 2010), e que realmente escolher o “menos pior” é uma boa escolha. Isso me irrita.
Me da ânsia pensar que não podemos mais confiar os rumos do nosso país a gestores justos que de certa forma lutariam pela isonomia do povo que os escolheram. E não sob aquele pensamento ingênuo visando uma igualdade social, de fato, porque não vivemos isso, nosso modo de produção é capitalista e para que ele funcione uns tem que ter mais que outros, segue a lógica. Mas sob uma óptica de que esse desnível seja minimizado. A igualdade começaria por uma chance igual de todos poderem crescer e viverem bem (julga-se a cada um esse “viver bem”). Funciona em outros países, por que aqui não?
Sabemos o porquê.
Meu repudio não é contra a ideia do debate em si, ele, de fato, deve ocorrer. Devemos incentivar o debate politico em todas as instâncias, de modo a construir ideias que possam melhorar a sociedade e o modo como vivemos. A vida em coletivo, com cabeças pensantes, pede isso. O problema está em montar um circo televisionado cujos candidatos se propõem a entrar em um “ringue” e darem para um tipo de publico motivos para piadas e, para outros, falsas ilusões. É um jogo de poder categorizado, medido em “verdinhas” pelo IBOPE, pois, claro, isso vende e não é barato. É triste ver que o Debate Político nas emissoras não serve como fonte de informações para que as pessoas construam suas opiniões politicas, tomem partidos e votem de forma consciente, escolhendo o candidato mais competente. Sua audiência consiste em construir piadas em redes sociais, assuntos inúteis no dia seguinte e fazer algumas poucas pessoas ganharem muito dinheiro. Além do fato de dar aos candidatos espaço para que se gabem por terem feito não mais que suas obrigações, promovendo algumas bem-feitorias. Aquele show (pois é isso que é) decorre com trama, suspense, capítulos e tudo mais, para que de fato prenda a audiência.
Um bom exemplo de como o Debate Politico nas emissoras não passa de um espetáculo é se compararmos os índices de audiência durante o debate e os índices atingidos em canais como a TV Senado. Não tenho essa informação, mas é fácil de acreditar que, o que a Globo atinge no ibope em um dia de Debate, a TV Senado não atingiria em um ano programação diária. E pior, muitas pessoas nem sabem da existência desse tipo de emissora. Não faz parte da rotina do brasileiro acompanhar a política, o povo não tem estrutura pra isso, pois nosso nível educacional não nos dá esse aporte. Não gostamos de política, mas gostamos do show que ela proporciona, e a culpa, claro, é dos protagonistas deste mesmo show. Criamos o habito de nos “politizar” (entre muitas aspas) ao modo dos espetáculos, assim como Copa do Mundo e Olimpíadas, somente a cada quatro anos. Infelizmente.
Não quero me prolongar muito, pra mim, esse é um assunto que daria muito pano pra manga. Só quero mesmo criar uma faísca de reflexão. Acredito que enquanto essa ideologia não mudar continuaremos na condição de público, pois é isso que somos, publico, e não povo, porque povo tem voz, publico não.

E será mania do brasileiro, esse “povo” alegre, transformar tudo em piada? Tomara que não. Esse é outro conceito que deveríamos mudar, pois lá fora, a verdadeira piada somos nós.