segunda-feira, 20 de abril de 2015

Dar ou não dar? Eis a questão...

De algumas décadas pra cá a Mulher vem ganhando cada vez mais espaço no que diz respeito a expor sua “voz” na sociedade, fato que, historicamente, tornou-se motivo de grandes discussões e intervenções. Grupos feministas lutam há anos para garantir que o “sexo frágil”, ainda que frágil, mostre-se igualmente capaz de realizar qualquer ação dentro de uma sociedade ativa. Porém, dentro do universo que permeia cada assunto na disputa entre gêneros, um dos maiores impasses visto nas discussões encontra-se no polêmico “transar ou não transar no primeiro encontro?”.
Trata-se de um assunto indelicado (não acho), que tratado principalmente por nós, homens, tende a se tornar tendencioso, até porque a famosa questão “dar ou não dar” em um primeiro encontro pode ser ao mesmo tempo machista e feminista, basta se contrapor a cada ponto de vista.
Sob uma óptica masculina, claramente, todas as mulheres deveriam ser “independentes” o suficiente para satisfazer os homens logo no momento em que se conhecem, de um modo animalesco, no “cio”. Afinal todo homem tem o dever (social e natural) de jamais recusar sexo, pois tal ação implicaria em uma desaprovação por parte de outros homens (machos) e por uma considerável parcela das mulheres (mulheres). Já pelo olhar feminino, para as mulheres independentes (fervorosas) sexo no primeiro encontro pode representar um sinal de segurança sobre suas decisões e uma capacidade de escolha própria, de caracterização de uma personalidade forte e singular, mas que na contramão carrega um caminhão de preceitos que permeiam diferentes valores socioculturais enraizados em um processo de construção social conservador, que sodomiza o sexo há muitas e muitas gerações. Ou seja, para os homens sexo casual é dever, é orgulho, mas para as mulheres é uma afronta à sua moralidade – puro machismo.
É como se a sociedade tivesse criado um modus operante em que os homens têm o monopólio do ato sexual casual (só eles podem querer), e que as mulheres só devem fazer parte disso enquanto objetos sexuais (mais uma vez fragilizando sua participação perante o ato). Nesse preceito a mulher não pode ser a detentora do desejo (e o homem o objeto), ela tem que, por dever, ser o indivíduo moderador, pois se ela tomar a frente estará se rebaixando ao nível animalesco dos homens, como se necessidades fisiológicas só se explicassem por um dos sexos. Homens possuem necessidades fisiológicas, mulheres devem possuir apenas necessidades sociais – puro machismo [2].
Biologicamente entendemos que tanto os homens quanto as mulheres estão dispostos na natureza equipados com eficientes mecanismos sexuais, que promovem entre eles uma interação direta, que tem por finalidade garantir a perpetuação da sua espécie, assim como, de um modo geral, para todos os seres vivos no planeta (claro, dentro de suas peculiaridades). Dessa forma, homens e mulheres são dotados igualitariamente de um apetite sexual que tem por finalidade uni-los, assim, fica claro que a natureza não deu ao homem mais direto ao coito do que a mulher, ela deu aos dois a necessidade de se relacionarem um com o outro, e não mais um do que o outro. Nesse sentido fica claro que, naturalmente, as mulheres tem total direito ao “transar”, tanto quanto os homens, e que qualquer probatória contrária a isso vai contra as leis da natureza. Uma mulher querer transar é tão normal quanto um homem. E vai por mim, pode parecer, mas isso não é tão obvio.
Dentro das sociedades humanas o ato sexual é carregado de tabus, que vêm sendo debatidos ao longo da história e superados conforme a evolução do pensamento civilizado. Claramente, para o Homem, ter relações sexuais envolve muito mais que o próprio ato, sendo assim construído pelo viés da moralidade. É a moralidade que enjaula o sexo, ela quem determina quando e onde você pode transar, e mais, é por ela que se decide se vai ou não transar de primeira, na cabeça de uma mulher. Isso faz com que as mulheres criem uma contenção de seus desejos e por mais que queiram muito transar no primeiro encontro, elas decidem inconscientemente que isso não é certo – “certo” no sentido moralista da ideia.
A decisão de ir pra cama em um primeiro encontro deve ser uma decisão compartilhada entre o homem e a mulher, e pode ser analisada sob diferentes aspectos levando-se em consideração o grau de afinidade gerado pelo encontro e o nível de intimidade estabelecido. A capacidade cognitiva do Homem lhe proporciona essa visão, de compor as informações coletadas naquele momento e criar em seu imaginário um cenário de avaliação da(o) pretendente, no qual tanto o homem quanto a mulher são capazes de decidir se aquela pessoa ali, presente, é ou não apto a favorecer suas necessidades sexuais momentâneas. Ainda nesse aspecto, essa capacidade ainda pode analisar e construir, em pensamento, situações futuras com aquele novo parceiro, que dentro dos preceitos sociais será avaliado como próprio ou impróprio para se mantar um relacionamento mais estreito.
No contexto das sociedades humanas pensar o sexo envolve muito mais que analisa-lo sob um aspecto natural, seus conceitos estão embebidos em diferentes culturas e são caracterizados de diferentes maneiras por seus praticantes. A ideia de reprodução também está ligada a um controle populacional e sabemos que a complexidade do convívio humano regula a capacidade de adaptação e sobrevivência de seus membros, por isso o ser humano, ao longo da evolução do seu pensamento deixou de pensar o sexo enquanto apenas uma ferramenta reprodutiva natural. O ato sexual sempre estará carregado de paradigmas que serão superados e retomados ao longo da existência humana.
Hoje, o pensamento machista e nossa atual construção social aprisiona o desejo sexual feminino, mas isso não impede que as mulheres tomem suas próprias decisões, apenas que elas às repensem. Se pensarmos em como o sexo era visto há 50 anos, na geração de nossos pais, já podemos perceber um grande avanço no pensamento que tange esse assunto, o que também tem levado à sua banalização pela mídia atual, claro. Essa mesma mídia que ao passo em que compra moralidade, vende banalidade, criando uma dicotomia no pensamento social e manipulando o desejo das pessoas. Talvez transar no primeiro encontro só pareça “errado” porque a Globo quer (rsrs).
Enfim [...]
Esse é uma assunto que pode gerar muito pano pra manga, e que pode ser analisado sob diferentes visões e aspectos. Acredito que cabe a cada pessoa decidir sobre seus relacionamentos, desejos e vontades. O sexo é uma dadiva natural e, felizmente, fomos agraciados com o prazer de podermos realiza-lo para além de sua função reprodutiva, e mais, a capacidade cognitiva do Homem permitiu que o desfrutasse e o pensasse de diferentes maneiras.
Definitivamente, transar em um primeiro encontro não é algo errado, nem para homens e muito menos para mulheres, é apenas algo passível de certa contextualização. Não devemos nos privar de nossos desejos e vontades devemos apenas ter certeza que aquele possível parceiro sexual é apto a realizar, de forma satisfatória, nossas vontades na cama, ou onde quer que seja. Obviamente, não vamos fugir das obrigações sociais a que já somos impostos, mas o velho “entre quatro paredes vale tudo” ainda funciona muito bem.
Faça o que sentir vontade, arrependa-se apenas do que não fizer. No final das contas todo mundo quer gozar.

2 comentários:

  1. Então eh isso....#espontaneidade #autenticidade ..seja sim ou não

    Adorei

    Bjs

    ResponderExcluir
  2. Então eh isso....#espontaneidade #autenticidade ..seja sim ou não

    Adorei

    Bjs

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