Eu não assisti a nenhum dos debates políticos, nem no
primeiro e, muito menos, no segundo turno das eleições. Criei uma apatia imensa
pelos rumos que a politica brasileira tem tomado. É como se houvesse uma
aceitação geral da nação de que “pior do que tá não fica” (SILVA, Tiririca.
2010), e que realmente escolher o “menos pior” é uma boa escolha. Isso me
irrita.
Me da ânsia pensar que não podemos mais confiar os rumos
do nosso país a gestores justos que de certa forma lutariam pela isonomia do
povo que os escolheram. E não sob aquele pensamento ingênuo visando uma
igualdade social, de fato, porque não vivemos isso, nosso modo de produção é
capitalista e para que ele funcione uns tem que ter mais que outros, segue a
lógica. Mas sob uma óptica de que esse desnível seja minimizado. A igualdade
começaria por uma chance igual de todos poderem crescer e viverem bem (julga-se
a cada um esse “viver bem”). Funciona em outros países, por que aqui não?
Sabemos o porquê.
Meu repudio não é contra a ideia do debate em si, ele, de
fato, deve ocorrer. Devemos incentivar o debate politico em todas as instâncias,
de modo a construir ideias que possam melhorar a sociedade e o modo como
vivemos. A vida em coletivo, com cabeças pensantes, pede isso. O problema está
em montar um circo televisionado cujos candidatos se propõem a entrar em um “ringue”
e darem para um tipo de publico motivos para piadas e, para outros, falsas
ilusões. É um jogo de poder categorizado, medido em “verdinhas” pelo IBOPE, pois,
claro, isso vende e não é barato. É triste ver que o Debate Político nas emissoras
não serve como fonte de informações para que as pessoas construam suas opiniões
politicas, tomem partidos e votem de forma consciente, escolhendo o candidato
mais competente. Sua audiência consiste em construir piadas em redes sociais, assuntos
inúteis no dia seguinte e fazer algumas poucas pessoas ganharem muito dinheiro.
Além do fato de dar aos candidatos espaço para que se gabem por terem feito não
mais que suas obrigações, promovendo algumas bem-feitorias. Aquele show (pois é
isso que é) decorre com trama, suspense, capítulos e tudo mais, para que de
fato prenda a audiência.
Um bom exemplo de como o Debate Politico nas emissoras
não passa de um espetáculo é se compararmos os índices de audiência durante o
debate e os índices atingidos em canais como a TV Senado. Não tenho essa informação,
mas é fácil de acreditar que, o que a Globo atinge no ibope em um dia de
Debate, a TV Senado não atingiria em um ano programação diária. E pior, muitas
pessoas nem sabem da existência desse tipo de emissora. Não faz parte da rotina
do brasileiro acompanhar a política, o povo não tem estrutura pra isso, pois
nosso nível educacional não nos dá esse aporte. Não gostamos de política, mas
gostamos do show que ela proporciona, e a culpa, claro, é dos protagonistas
deste mesmo show. Criamos o habito de nos “politizar” (entre muitas aspas) ao
modo dos espetáculos, assim como Copa do Mundo e Olimpíadas, somente a cada
quatro anos. Infelizmente.
Não quero me prolongar muito, pra mim, esse é um assunto
que daria muito pano pra manga. Só quero mesmo criar uma faísca de reflexão.
Acredito que enquanto essa ideologia não mudar continuaremos na condição de
público, pois é isso que somos, publico, e não povo, porque povo tem voz,
publico não.
E será mania do brasileiro, esse “povo” alegre,
transformar tudo em piada? Tomara que não. Esse é outro conceito que deveríamos
mudar, pois lá fora, a verdadeira piada somos nós.
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