sábado, 25 de outubro de 2014

Debate em debate

Eu não assisti a nenhum dos debates políticos, nem no primeiro e, muito menos, no segundo turno das eleições. Criei uma apatia imensa pelos rumos que a politica brasileira tem tomado. É como se houvesse uma aceitação geral da nação de que “pior do que tá não fica” (SILVA, Tiririca. 2010), e que realmente escolher o “menos pior” é uma boa escolha. Isso me irrita.
Me da ânsia pensar que não podemos mais confiar os rumos do nosso país a gestores justos que de certa forma lutariam pela isonomia do povo que os escolheram. E não sob aquele pensamento ingênuo visando uma igualdade social, de fato, porque não vivemos isso, nosso modo de produção é capitalista e para que ele funcione uns tem que ter mais que outros, segue a lógica. Mas sob uma óptica de que esse desnível seja minimizado. A igualdade começaria por uma chance igual de todos poderem crescer e viverem bem (julga-se a cada um esse “viver bem”). Funciona em outros países, por que aqui não?
Sabemos o porquê.
Meu repudio não é contra a ideia do debate em si, ele, de fato, deve ocorrer. Devemos incentivar o debate politico em todas as instâncias, de modo a construir ideias que possam melhorar a sociedade e o modo como vivemos. A vida em coletivo, com cabeças pensantes, pede isso. O problema está em montar um circo televisionado cujos candidatos se propõem a entrar em um “ringue” e darem para um tipo de publico motivos para piadas e, para outros, falsas ilusões. É um jogo de poder categorizado, medido em “verdinhas” pelo IBOPE, pois, claro, isso vende e não é barato. É triste ver que o Debate Político nas emissoras não serve como fonte de informações para que as pessoas construam suas opiniões politicas, tomem partidos e votem de forma consciente, escolhendo o candidato mais competente. Sua audiência consiste em construir piadas em redes sociais, assuntos inúteis no dia seguinte e fazer algumas poucas pessoas ganharem muito dinheiro. Além do fato de dar aos candidatos espaço para que se gabem por terem feito não mais que suas obrigações, promovendo algumas bem-feitorias. Aquele show (pois é isso que é) decorre com trama, suspense, capítulos e tudo mais, para que de fato prenda a audiência.
Um bom exemplo de como o Debate Politico nas emissoras não passa de um espetáculo é se compararmos os índices de audiência durante o debate e os índices atingidos em canais como a TV Senado. Não tenho essa informação, mas é fácil de acreditar que, o que a Globo atinge no ibope em um dia de Debate, a TV Senado não atingiria em um ano programação diária. E pior, muitas pessoas nem sabem da existência desse tipo de emissora. Não faz parte da rotina do brasileiro acompanhar a política, o povo não tem estrutura pra isso, pois nosso nível educacional não nos dá esse aporte. Não gostamos de política, mas gostamos do show que ela proporciona, e a culpa, claro, é dos protagonistas deste mesmo show. Criamos o habito de nos “politizar” (entre muitas aspas) ao modo dos espetáculos, assim como Copa do Mundo e Olimpíadas, somente a cada quatro anos. Infelizmente.
Não quero me prolongar muito, pra mim, esse é um assunto que daria muito pano pra manga. Só quero mesmo criar uma faísca de reflexão. Acredito que enquanto essa ideologia não mudar continuaremos na condição de público, pois é isso que somos, publico, e não povo, porque povo tem voz, publico não.

E será mania do brasileiro, esse “povo” alegre, transformar tudo em piada? Tomara que não. Esse é outro conceito que deveríamos mudar, pois lá fora, a verdadeira piada somos nós.

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