quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Rola um cineminha?

   Qual o programa pra hoje? Vamos pegar um cineminha?
   Quantas e quantas vezes já não ouviu isso, ou então, você mesmo disse? No mundo de hoje essas são frases bastante comuns, pois, para a maioria das pessoas, assistir um filme no cinema é uma ocupação do lazer já bem de praxe. As pessoas são paralisadas pelas produções cinematográficas carregadas de efeitos, ação e surpresas. É como, por alguns instantes, ter o imaginário dominado por uma incrível trama e que seus personagens, com suas características, parecem ganhar vida em nossas personalidades. Mas será que assistir um filme é só isso?
   Mais do que isso, acredito que a produção de filmes possui uma dinâmica ainda maior do que parecem mostrar nas telas, na qual cada produção é elaborada sobre um contexto e que transmite influências e constrói tendências, muitas vezes implícitas em suas histórias (ou estórias), que de certa forma educam e doutrinam.
   O cinema desde seu bum, em meados da década de 1910, veio passando por diferentes transformações tanto no que diz respeito à produção e desenvolvimento tecnológico, quanto na contextualização das histórias em detrimento às sociedades e seus momentos históricos. Uma análise (não profunda) pode revelar como o desenvolvimento da sétima arte sempre esteve relacionado com o momento histórico instaurado e como, de acordo com o público, suas obras eram criadas e transmitidas. Um filme, mais do que envolver seu espectador, é pensado para transmitir algo, e muitas das vezes essa transmissão está atrelada a coisas como juízo de valor, moralidade e consumo.
   Se você parar por um instante, pensar sobre o filme que escolheu ver naquele final de semana e começa relevar sua história, contexto em que foi lançado em cartaz e o que cada um de seus personagens representa você poderá construir uma análise mais apurada sobre o que aquele sucesso de bilheteria tende a lhe transmitir ao prender sua atenção. Isso fica bastante claro no momento pós-filme em que você eleva seu pensamento e muitas coisas na sua cabeça começam fazer sentido, como se a inspiração da telona tivesse sido o ponta pé inicial pra você tomar alguma atitude ou repensar atitudes passadas que tiveram forte impacto sobre sua vida.
   Os filmes, como uma ilustração fantasiosa de realidades vividas ou imaginadas, são influenciadores diretos do comportamento social dentro das sociedades espectadoras, estabelecendo padrões que estão diretamente ligados à construção e transmissão cultural. Ou seja, o simples fato de assistir um filme pode lhe moldar culturalmente agregando costumes, influenciando a fala e radicalizando a moda. Pensando pelo lado da construção comportamental, as produções repassam valores que estão inseridos no comportamento e devem permanecer instaurados como regras de convívio social, leis.
   Na ideia de que os filmes são uma representação de nossas vidas, construídos sobre diferentes ópticas e, fundamentalmente, influenciadores do pensamento podemos exemplificar características marcantes nas histórias cinematográficas que ditam muitas das regras do convívio dentro das sociedades, como a ideia de “herói vs vilão”: Em praticamente todas as obras esses são os principais protagonistas e sempre representam um batalha do bem contra o mal, e que no desenrolar da trama o bem sempre vence. Essa dicotomia pode ser representada de forma direta: ambos representam personagens físicos na história, ou de forma indireta, na qual o bem ou o mal podem ser representados por algum tipo de ideologia, sentimento ou corporação. Outra característica é a influência da moda que, sem muitas explicações, é vista claramente como criadora de tendências e encontra nos filmes um ótimo meio de afetar o sentimento de consumo, um sentimento que compra o mesmo vestido que certa atriz usou na cena final do seu último longa.
   De modo geral o cinema é (e possivelmente sempre será) um dos principais meios de ocupação do tempo livre, no qual as pessoas buscarão como forma de entretenimento alternativo, pois assim como podemos entender a produção de filmes como uma produção de influências no comportamento, a própria ideia de ir assistir um filme já está inserida como um tipo de comportamento social bem aceito. O que devemos é criar uma percepção de mundo (e do próprio comportamento) maior, a fim de que não sejamos manipulados por tudo aquilo que vemos e ouvimos. Entender o que está por trás dos personagens, das falas e da própria história é essencial para um entendimento inteligente do que se assiste. É como diz uma velha frase: “Saber ler as entrelinhas”, isso é essencial.
     Por fim, é só escolher a companhia e comprar os bilhetes, pois, mais do que vê-los em uma análise, os filmes servem pra entreter e divertir, mexendo com o imaginário e os sentimentos das pessoas. Absorva o que for bom e crie paralelos de aprendizado com sua própria vida. Os filmes são feitos para todos, mas seus entendimentos, não.
     E aí? Rola um cineminha?

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