É engraçado como muitas pessoas me vêm como um cara de coração blindado, que está alheio ao amor conjugal. Também, pudera. Já quase perco de vista a história do meu ultimo relacionamento sério – no qual aprendi e cresci muito. Ao longo da minha vida (depois disso) aprendi a realmente me proteger, me poupar de um sofrimento indesejado e incontrolável. Acredito que ao longo dos anos fui criando uma carapaça cascuda no coração, que me protege ao passo que me priva.
Sou o tipo de cara que não sabe se relacionar pela metade, que não sabe se entregar se não for por inteiro, cair de cabeça mesmo, e a cada nova aventura penso e repenso em tudo que está acontecendo, e no final das contas percebo que prefiro não me envolver a partir de certo ponto. Tenho medo. Meu racional é prevalente. Eu pondero, analiso e viajo com o pé no freio. Em qualquer sinal de cilada, meu coração – Pedro – já logo grita.
Mas vez ou outra o inevitável acontece, e tudo que parece me tornar mais forte me desmonta. Fico bobo. O real problema de se considerar um cara seguro, com controle sobre seus relacionamentos, é que talvez sua própria natureza o condene. Quando entro nesse estado nenhuma das minhas defesas funciona, meu campo de força se desarma e minha carapaça cascuda se transforma em uma membrana altamente permeável. Seria bom controlar essa mudança de habitat, mas não é bem assim que acontece. Nunca é. Perder o controle da situação é horrível, ainda mais quando você cria expectativas, algo que minhas defesas já eliminam logo no começo de cada nova relação. Quando esse mal consegue passar pela barreira residual do meu consciente muita coisa vem junto. É tipo um vírus de computador, infectando todo o sistema, enganando até o antivírus. Com o mal instalado fica difícil limpar o software novamente.
O real problema em gostar de uma pessoa é quando todas as suas expectativas vão por água a baixo. Eu tento não ser, mas sou assim. Crio planos, imagino situações futuras e crio rotinas. Pareço cego. Parece que meu consciente fica totalmente agindo por conta própria, eu já não penso e não pondero. E a treta nisso, meus amigos, está justamente em querer voar alto demais. A estória de Ícaro nos leva a entender como realmente somos vulneráveis. Eu nunca voo alto demais, pois sei que minhas asas são de cera, mas inevitavelmente algumas vezes o sol pareceu estar mais perto, e eu só queria mais calor.
Quando aquele relacionamento em que você apostou todas as suas fichas não da certo, é como se o mundo caísse sobre suas costas. Parece que tudo conspira contra. Músicas, coisas, pessoas... De um comentário na rua, até a cor da escova de dente no banheiro. Tudo me faz remoer por dentro. Não consigo fazer mais nada direito, minha paz interna desaparece, e o que mais corrói por dentro é me perguntar, a todo o momento: Onde foi que eu errei pra chegar nesse ponto?
[...] É foda.
Minhas idealizações sobre o que é o Amor vivem afligidas por meus anjos e demônios. Mas acredito que o Amor é um mal necessário, eu diria. Serve como chicote, mas também como berço. Para cada experiência mal sucedida um ensinamento, e quando o sistema se reestabelece ele volta ainda mais forte.
É isso, amores mal resolvidos servem como vacinas.
A natureza habilitou nossos sistemas de modo a amar o próximo para garantir nossa sobrevivência em grupo, mas a naturalização do Amor é inconsciente e nem sempre benigna. Sobrevive por fora, mas morre por dentro, e o amor que gera a vida, também a tira. A cada nova aventura, novos desafios, até que uma hora talvez dê certo, amando mais ou menos. E sabe qual o real problema em não saber amar um pouco? É que pouco amor, pra mim, já é muito, e muito então nem se fala. Dá ate medo.
Ícaro amava voar e o seu amor o condenou. E sabe o que é mais foda? O sol sempre brilhará no mesmo lugar e minhas asas, assim como as de Ícaro, sempre serão de cera.
Um dia eu aprendo... Ou não.
Perfeito!
ResponderExcluirPerfeito!
ResponderExcluirparabéns!!!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
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