domingo, 11 de agosto de 2013

Sai dessa, Brasil.

    Não sei se para todas as pessoas, mas pelo menos pra mim, pensar nos rumos que a educação brasileira tem tomado é algo um tanto quanto perturbador, tanto no que diz respeito ao que é transmitido nas escolas, quanto aos valores hereditários da educação informal, já difundidos socialmente. É como se lentamente houvesse uma desvalorização cada vez maior do ensino que, atrelada à alienação do pensamento, estivesse invertendo valores e fazendo com que a maioria das pessoas deixe de lado ensinamentos que, na cabeça delas, não serão úteis.
       Assim, para tentar entender um pouco sobre como as pessoas escolhem o que é útil e o que não é, para suas vidas, precisamos entender como a construção social e suas influências estão ligadas a esse processo, determinando os caminhos a serem seguidos dentro de um sistema educacional precarizado. É esse sistema (que produz indivíduos mecanizados) talvez o principal causador no déficit educacional no Brasil e em muitos outros países que, institucionalizados dentro de um modelo capitalista, visam à construção de um contingente de força de trabalho instruído apenas a apertar botão, que não precisa de pensamento crítico e muito menos de opinião própria.
      Hoje, é comum ouvirmos frases como: "O que isso vai acrescentar na minha vida?" ou "Não preciso saber disso, minha área é outra" entre outras que, de fato, fazem sentido. Mas o real problema nisso é pensar que devemos limitar nosso conhecimento somente àquilo que vamos precisar para nos fazer ganhar dinheiro, e que devo aprender só o que for importe ao meu trabalho (males do capitalismo). Com isso, mecanizamos e alienamos nosso pensamento, que pautado apenas no retorno financeiro, se esquece do retorno cultural, do conhecimento de mundo e de outras categorias do aprendizado. Achar que conhecimento extra é algo inútil é retroceder na linha de construção do pensamento crítico. Desse modo, o ensino vem se deteriorando e professore não são mais valorizados pelo conhecimento que podem compartilhar.
        A crescente desvalorização do professor tem sido um fator preocupante e certamente um dos agravantes para o declínio do ensino de qualidade no país. Sabemos que a grade curricular estabelecida pelo Ministério da Educação possui um potencial efetivo forte, no que diz respeito à orientação didático-pedagógica destes profissionais em sala de aula, pois é desenvolvida por especialistas da área, mas que carregam, muitas vezes, o sério problema de pensarem a prática pedagógica sem ao menos terem-na vivido. Esse é um dos fatores que permeiam o campo do declínio educacional, atravancando o ensino, pois limita a relação professor-aluno, e que hoje ainda é mantida por um pensamento conservador, no qual o professor é o detentor do conhecimento e tem o dever de transmiti-lo ao aluno, não levando em consideração que professores e alunos culminam em um só meio de aprendizado, um aprendizado mútuo em que a prioridade deve ser a troca de conhecimentos e não a transmissão. Como dito por Paulo Freire: "Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção."
         Por outro lado estão os pais que, hoje, parecem preocuparem-se mais com a presença dos filhos dentro da escola, o que convenhamos já é uma grande evolução (esperada, obviamente), mas que carrega um problema sério e também deve ser visto como agravante. De modo geral, a maioria dos pais (ou outro responsável pelo aluno) delega a função de educar diretamente à escola, o que acarreta na preocupação da presença, deixando de lado o que realmente importa: o ensino. Isso, claro, sem considerarmos os programas de incentivo do governo, como o “Bolsa Família”, que exigem frequência do aluno às aulas, mas desconsidera seu rendimento. Ou seja, nem o governo e nem os pais parecem estar preocupados com o que nossos alunos têm aprendido na escola, e sim, o quanto eles têm ido a ela, o que dos problemas, é o menor.
            Nessa inversão de valores difundida aqui vemos que a maioria dos alunos vão a escola por se sentirem obrigados e não estimulados, criando um pensamento de aprender o mínimo e passar de ano, pois é isso que importa. Aprendendo o mínimo, consegue-se um emprego razoável e todo o resto terá se tornado inútil. Junte alunos desestimulados com professores desestimulados e teremos esse esboço de como anda o cenário da educação brasileira. É isso que precisa mudar! 
            Em fim, discutirmos o problema da educação brasileira gera (e com certeza ainda vai gerar) muito pano pra manga. O que devemos, de fato, é pensar um pouco mais a respeito dentro das concepções que já conhecemos, como: valorizar o professor, exigir frequência tanto quanto rendimento e mais do que isso acompanhar o que é ensinado. O papel transformador do ensino está nas mãos do professor, mas também está com os pais, com o Estado e com a sociedade na educação informal. Pois se pensarmos os problemas sociais de hoje, a base da solução estará, sem sombra de dúvidas, na educação. Como dito por Pitágoras: “Educai as crianças e não será preciso punir os adultos.”

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