sexta-feira, 20 de junho de 2014

Um "self" da "egotecnologia"

Em outro momento talvez já tivesse tido essa mesma reflexão, mas agora sinto na pele essa amargura e percebo o quanto isso é ruim, pra mim e pra outras pessoas. Falo dessa nossa dependência, desse refém que somos das tecnologias, principalmente das ligadas às telecomunicações. É incrível como nossas vidas passaram a depender de celulares e computadores e nem percebemos isso, simplesmente aceitamos, e mais, gostamos.
Eu, por exemplo, há pouco tempo nem tinha um smartphone e vivia uma vida normal, possuía um celular simples e as pessoas se comunicavam comigo normalmente, assim como eu em relação a elas. Vale também para os computadores e notebooks, mas prefiro não me aprofundar na dependência destes por já ter nascido em seu tempo. Entendo que a comunicação on line já é parte da minha cultura, claramente referida com seus pontos positivos e, também, negativos. Mas voltando ao meu antigo celular... Ele me era útil da forma que precisava ser e tinha a finalidade que me propunha quando o-adquiri: me por em contato com pessoas, à distância.
Hoje a história é outra, é como se os celulares fizessem de tudo menos ligação, e mesmo aos que fazem sabemos que esse é o recurso menos utilizado deles. As redes sociais possibilitaram um upgrade no mercado de telefonia, pois elas também interligam as pessoas. E porque não juntar tudo isso em um aparelho só? Isso é genial! Agora vivemos em um mundo onde você não precisa mais estar “off line”, não perderá mais nenhuma notícia ou fofoca. E é aí que está o problema.
Nesse ponto criamos nossa dependência, essa necessidade de estar sempre por dentro do assunto, de sermos descolados postando fotos de momentos invejáveis ou comidas, objetos e lugares que muitos não têm acesso. Fazemos parte disso e gostamos desse luxo, não ligamos mais para o significado da palavra “futilidade”. Mas e daí, né[?] Essa é uma nova época, a época da velocidade digital e se é isso que nos é disponibilizado, porque não seguirmos o fluxo? [...]
Mesmo estando profundamente inserido neste preocupante processo, ainda assim tento me ponderar (e refletir) em relação a ele. Todos gostam de serem vistos, de serem aceitos, e hoje entendemos que a vida on line possibilita (ou não) um passaporte para aceitação social, pois é isso que move os seres humanos do século 21: Aceitação Social. São quantos “likes” têm em suas fotos, são quantos pseudoamigos você tem (ou supostamente você conhece), seguidores, enfim, o quanto você é visto, mas visto na rede.
É estranho pensar que o que nos fez refém de nossas próprias tecnologias não foi o avanço tecnológico em si, foi nosso egocentrismo. Fazemos o uso egocêntrico dos nossos celulares e computadores, e nossas redes sociais servem para massagear e inflar nossos egos. Eu diria que somos dependentes de “confete” e que a tecnologia só viabilizou esse processo. Isso, atrelado ao conceito marxista do “fetiche da mercadoria” que possibilita a ascensão dos nossos desejos capitalistas de termos aparelhos cada vez mais modernos (sem nos importarmos com preço), com cada vez mais recursos, que usaremos para ludibriar nossos status, mas que no final das contas nem saberemos como funciona. Queremos mais do que mostrar “que” estamos conectados, queremos mostrar “como” estamos conectados, porque postar uma foto “via iPhone” tem mais valor agregado a ela.

Enfim, não quero me prolongar demais criticando uma coisa da qual faço parte de forma assídua, até para não parecer tão hipócrita. Meu intuito aqui é só trazer um inicio de reflexão, para que possamos pensar o quanto somos fúteis e levamos vidas fúteis, e o pior, a troco de um reconhecimento barato e superficial, que teremos apenas por um mísero momento. É triste pensar que todo esse processo pode ser comparado a uma droga, na qual você tem um efeito momentâneo, mas o que sobra é deprimente. Devemos, sim, utilizar o que a tecnologia nos disponibiliza, o que não devemos é disponibilizar nossas vidas em função dela.

Um comentário:

  1. Interessante seu artigo. Sugere um bom começo de reflexão para um problema que, infelizmente, é ainda mais embaixo.

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